sexta-feira, junho 24, 2005

Cor de tijolo

Num lugar onde nada é alinhado, qualquer forma alinhada nos salta à vista. Ainda mais quando esse alinhamento é protagonizado por um grupo de crianças todas com t-shirt branca num cenário cor de tijolo.
São as crianças de uma escola onde provavelmente não existem cadeiras nem mesas para poisar os livros e onde também não existe um pavilhão polidesportivo com balneários e por isso utilizam o campo de futebol de terra batida, onde se disputam os torneios do Gira-Bairro e que à noite se transforma em parque de automóveis, para fazerem ginástica.
São estes alinhamentos que às vezes desalinham a minha cabeça e me fazem pensar que às vezes basta fazer acontecer.


5 Comments:

Blogger wind said...

Tens toda a razão. bjs

5:57 da tarde  
Blogger Amita said...

Olá Carlota. Talvez nem fosse tão difícil o fazer acontecer...Houvesse vontade para tal. Gostei desse teu alinhamento desalinhado. Bjo. Amita//brancoepreto.blogs.sapo.pt

6:23 da tarde  
Blogger Alegrao said...

Há muitos anos (21) saí da escola primária, nesse mesmo ano a escola teve muitas melhorias.
Anos mais tarde saí da escola preparatória, também foi melhorada nesse ano.
O mesmo aconteceu quando acabei o secundário.
A geração a seguir a mim teve melhores condições que a minha. Isto é o que acontece numa sociedade em desenvolvimento. Mais tarde ou mais cedo o mesmo vai acontecer em Angola. Beijo

11:18 da tarde  
Blogger jacky said...

Esperemos que as coisas melhorem :)

11:26 da tarde  
Blogger Junior said...

Que fosse o cenário cor de tijolo, a brancura das t-shirts, ou a escola sem carteiras o nosso pior mal.

Pior pior é que nesse cenário cor de tijolo se cruzam personagens cor de tristeza, que vestem o futuro com t-shirts cor de fome e escrevem sobre os joelhos histórias cor de morte.

Pior pior é que num país de cores quentes como o meu, ainda não descobrimos, como pintar o futuro dos nossos filhos.

Pior pior é que num país de cores quentes como o meu ainda não conhecemos a cor do afecto, a tonalidade do respeito pelas crianças, ou sequer os tons, ainda que já esbatidos, da esperança.

Mas o pior de tudo é que pouco nos importamos com isso

8:51 da manhã  

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