terça-feira, julho 26, 2005

Palavras suspensas

Vendo bem também podem ter sido as palavras que tropeçaram em mim.

É que foram tantas as que foram entregues ao ar sem nunca terem chegado ao seu destino, que acabaram por ficar suspensas, a pairar no tempo.
Formaram nuvens pintadas de todas as cores.. um arco-iris de sentimentos que foi dançando ao sabor do vento, trocando os passos, baralhando as músicas e as palavras acabaram por tropeçar em mim.

Devia ter feito um quadro de contornos suaves...
pintá-las numa tela ao longo do tempo...
assim, se calhar, já não tropeçavam e não caíam no papel como borrões de tinta.

Mas a dança continua, basta acertar o passo.

terça-feira, julho 19, 2005

Desafio

Aqui está a resposta ao desafio e sem tropeções:

- Simply Red - Home (porque é uma musica aconchegante e passa muito aqui numa estação de rádio)
- U2 - Little Sister (acho que se chama assim. porque é a minha banda preferida)
- Adriana Calcanhoto - Saiba (porque o meu amor adora)
- Carla Bruni - Quelqu'un m'a dit (porque é um som suave que me descontrai)
- Tori Amos - todas (porque gosto muito)

Devo confessar que não ando a ouvir música portuguesa, mas devo informar alguém que sei o nome e conheço uma música de uma banda recente da "Catedral da Sagres" - Filarmónica Gil - Deixa-te ficar na minha casa.

Obrigada Jacky por me manteres actualizada!!!!

Muito obrigada pelo desafio!!!!!

Acho que já foram todos desafiados, não conheço mais nomes.

quarta-feira, julho 13, 2005

Tropeção

Vou ficar sossegadita durante uns dias...tropecei em algumas palavras e preciso restabelecer o equilíbrio.


segunda-feira, julho 11, 2005

Coincidências da monotonia

Sobre o arrulhar dos pombos…

Eu já nem me lembrava de me lembrar dos pombos, quando de repente um som familiar me transportou para um pombal que pertence às minhas recordações de infância.
De olhar pregado ao céu, lá estava ele mais uma vez à espera dos seus pombos que tinham partido há alguns dias e que deveriam chegar naquele dia, por aquela hora, de mais uma viagem repleta de paisagens. Sempre me intriguei à cerca deste ritual. Como é que ele sabia que os pombos estariam para chegar ?
Quando começavam a aparecer no céu era uma alegria, mas também transparecia alguma apreensão no seu rosto pois nestas aventuras havia sempre alguns que ficavam pelo caminho.

Mas aquele sorriso estava sempre confiante.

Depois, ao ouvir o frenesim do bater das asas, lembrei-me dos parques e largos povoados de pombos a disputar o miolo de pão atirado por mãos de crianças, idosos, gente que busca companhia para aliviar a solidão, por mim própria naqueles passeios familiares onde a máquina fotográfica testemunhava o meu nervosismo no meio daquela nuvem cinzenta.


E então, lembrei-me do que tinha lido há uns dias sobre alguém que tinha descoberto a monotonia do arrulhar dos pombos e pensei nos vôos que esta monotonia me tinha proporcionado e de como tinha sido engraçada esta sequência de pensamentos, logo no sítio onde me encontrava onde jamais pensaria encontrar um pombo.


Que bela espreguiçadela!!!!!

sexta-feira, julho 08, 2005

Aos eternos Guerreiros

Pedido de Demissão

Venho, por meio desta, apresentar oficialmente o meu pedido de demissão da
categoria dos adultos.
Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as ideias de uma
criança de oito anos, no máximo.
Quero acreditar que o mundo é justo, e que todas as pessoas são honestas e
boas.
Quero acreditar que tudo é possível.
Quero que as complexidades da vida passem despercebidas por mim,
e quero ficar encantado com as pequenas maravilhas deste mundo.
Quero de volta uma vida simples e sem complicações.
Estou cansado de dias cheios de computadores que falham, montanhas de
papelada, notícias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças, e
necessidade de atribuir um valor monetário a tudo o que existe.
Não quero mais ter que inventar fórmulas para fazer o dinheiro chegar até ao
dia do próximo pagamento.
Não quero mais ser obrigado a dizer adeus a pessoas queridas, com as quais passei
uma parte da minha vida.
Quero ter certeza de que Deus está no céu, e de que, por isso, tudo está
direitinho neste mundo.
Quero ir ao McDonalds ou à pizzaria da esquina, e achar que é melhor que um
restaurante cinco estrelas.
Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel e que vou navegar numa
poça deixada pela chuva. Quero atirar pedrinhas à água e ter tempo para
olhar as ondas que elas formam.
Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as
de verdade, porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada.
Quero ficar feliz quando amadurece a primeira nespereira ou a primeira
Ameixoeira ou quando a laranjeira fica carregadinha de fruta.
Quero poder passar as tardes de Verão à sombra de uma árvore, construindo
castelos no ar e dividindo-os com meus amigos.
Quero voltar a achar que chicletes e gasosas são as melhores coisas da
vida.
Quero que as maiores competições em que eu tenha de entrar sejam um jogo de
berlinde ou uma futebolada.
Eu quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores,
a tabuada, as cantigas de roda, "As Pombinhas da Catrina", e a
"Ave Maria", e isso não me incomodava nadinha, porque eu não tinha a menor
ideia de quantas coisas eu ainda não sabia...
Voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita
ignorância da existência de coisas que podem nos preocupar e aborrecer. Eu
quero acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, dos agrados, das
palavras gentis, da Verdade, da Justiça, da Paz, dos Sonhos, da Imaginação,
dos castelos-no-ar e na areia.
E o que mais quero é estar convencido de que tudo isso vale muito mais do que o
dinheiro!
Por isso, tomem aqui as chaves do carro, a lista do supermercado, as
receitas do médico, o talão de cheques, os cartões de crédito, o
contra-cheque, os crachás de identificação, o pacote de contas a
pagar, a declaração de impostos, a declaração de bens, as passwords do meu computador e das contas no banco, e resolvam as coisas como quiserem.
A partir de hoje, isto é com vocês, porque eu DEMITO-ME da vida de adulto.
Vou voltar a ser feliz, a ter sonhos de criança, a ver o mundo com os
olhos inocentes de quem acredita no Pai Natal e nas fadas e viver
um sonho...

quinta-feira, julho 07, 2005

Guerreiro dos Bigodes Cor-de-Rosa

Ele não estava para brincadeiras.
Cara trancada. Semblante carregado pela testa franzida que lhe dava um olhar felino.
Braços cruzados contra o peito.
Perante a intransigência da minha atitude face ao seu desejo, o guerreiro esperou que todos terminassem a refeição, pegou no seu guardanapo e num gesto rápido e seco limpou os bigodes desenhados pelo sumo de morango e levantou-se da mesa.
Eu tinha conseguido adiar a realização do seu desejo.

O gelado ficaria para o lanche, pois tinha deixado comida no prato.

Desculpa meu guerreiro, mas estas atitudes intransigentes são próprias das mães dos guerreiros.

terça-feira, julho 05, 2005

Nada como o sol


Depois da nuvem cinzenta...

O que arde cura...

Há dias que tudo nos arranha. Tudo nos toca nas feridas mal saradas.
Então ficamos com aquela sensação de querer correr para o colo da mãe e dizer:
"Aquele menino bateu-me!!"
Mas não há colo para onde correr e nenhum menino nos bateu. Não é assim tão simples.
Contudo se procurarmos bem dentro de nós encontraremos o bálsamo para as nossas feridas.
E se arder é só soprar com muito amor.