segunda-feira, julho 11, 2005

Coincidências da monotonia

Sobre o arrulhar dos pombos…

Eu já nem me lembrava de me lembrar dos pombos, quando de repente um som familiar me transportou para um pombal que pertence às minhas recordações de infância.
De olhar pregado ao céu, lá estava ele mais uma vez à espera dos seus pombos que tinham partido há alguns dias e que deveriam chegar naquele dia, por aquela hora, de mais uma viagem repleta de paisagens. Sempre me intriguei à cerca deste ritual. Como é que ele sabia que os pombos estariam para chegar ?
Quando começavam a aparecer no céu era uma alegria, mas também transparecia alguma apreensão no seu rosto pois nestas aventuras havia sempre alguns que ficavam pelo caminho.

Mas aquele sorriso estava sempre confiante.

Depois, ao ouvir o frenesim do bater das asas, lembrei-me dos parques e largos povoados de pombos a disputar o miolo de pão atirado por mãos de crianças, idosos, gente que busca companhia para aliviar a solidão, por mim própria naqueles passeios familiares onde a máquina fotográfica testemunhava o meu nervosismo no meio daquela nuvem cinzenta.


E então, lembrei-me do que tinha lido há uns dias sobre alguém que tinha descoberto a monotonia do arrulhar dos pombos e pensei nos vôos que esta monotonia me tinha proporcionado e de como tinha sido engraçada esta sequência de pensamentos, logo no sítio onde me encontrava onde jamais pensaria encontrar um pombo.


Que bela espreguiçadela!!!!!

4 Comments:

Blogger Junior said...

É quase sempre de onde menos esperamos que nos é oferecido o nectar que nos desperta os sentidos e as emoções - apenas temos que permanecer atentos,
de paladar em riste,
e desfrutar

9:34 da manhã  
Blogger jacky said...

Então, o arrulhar dos pombos é tão monótono quanto a ondulação do mar...

12:52 da tarde  
Blogger Marian - Lisboa - Portugal said...

Interessante como os sons, tal como os cheiros, têm um poder evocativo tao grande...
Por falar em pássaros,lembro com grande nitidez o arrulhar das rolas vindo das traseiras ensolaradas da casa nas tardes mornas e quietas da minha infancia :)

3:12 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Sem dúvida uma bela espreguiçadela.
As pontas dos meus dedos chegaram à Rua da Maianga, onde um simpático e atento avô também esperava os seus pombos, partidos dois dias antes. O neto, sentado a distância suficiente para não assustar a chegada dos velozes campeões, antevia a conquista de mais uma taça.
O avô, está "lá em cima" a dar milho aos campeões. O neto tem hoje 40 anos. Sou eu.
A taça, está aqui, na minha mesa e estou a olhar para ela.
Obrigado Carlota por me teres feito recordar.

12:50 da manhã  

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